Quinta-feira, 29 de Julho de 2010

Justiça?

 

Somos formatados para acreditar na Justiça, isto é, somos obrigados a acreditar na Justiça.

Mesmo sabendo que ela é lenta, e sabendo muitas vezes porque é que é lenta, ou mesmo quando reconhecemos que há uma Justiça para ricos outra para pobres.

Somos sempre levados (e se calhar ainda bem) a acreditar na Justiça, quase como se tratasse de um dogma.

Vem isto a propósito da conclusão da investigação pelo Ministério Público ao “Caso Freeport”.

Segundo o MP, afinal, tudo não passou de uma tentativa de extorsão.  José Sócrates, a família e os amigos não cometeram qualquer crime em todo este processo e os únicos acusados são os senhores Charles Smith e Manuel Pedro.

Esta é a decisão do MP.

Como disse no inicio, somos levados a acreditar na Justiça e regra geral acreditamos.

Mas porque é que neste caso (como em outros) ficamos (eu pelo menos fico) com a impressão que a malha da Justiça voltou a deixar passar o peixe graúdo.

publicado por bejahoje às 00:01
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6 comentários:
De Anónimo a 29 de Julho de 2010 às 01:03
Um bom post , dispensa comentários.
De anti-esquerdalha II a 29 de Julho de 2010 às 01:05
«Na nossa sociedade, que se entende por permissiva, não há afinal homens exemplares. Há só leis que substituem o exemplo; há só alíneas morais que estão em vez dos actos reais e da sua humanidade» Agustina Bessa-Luís
De Anónimo a 29 de Julho de 2010 às 03:21
Caro colunista, subentende-se das suas palavras que a pessoa em causa (note-se que nem comento a sua ignóbil generalização sobre “a família e os amigos”) deveria ter sido condenada por um crime que a justiça, mesmo que lenta e pouco eficaz, concluiu que ele não cometeu. Dava jeito, se calhar, já que nas urnas não chegou inventar a sua homossexualidade (como se tal fosse condição de não elegibilidade para o cargo que detém), como não colheu um diploma forjado (que se provou que afinal era real), entre tantas outras intentonas vergonhosas em que todos os da sua casta sacrossanta alinharam de sorriso na boca.
Caro colunista, Sócrates é Primeiro-ministro deste país porque a maioria dos Portugueses assim o decidiram. É este o regime em que vivemos, que você não aceita bem, mas que, ainda assim, e com todos os seus defeitos, faz de nós uma nação bem mais evoluída e livre do que a China, Cuba, a Coreia do Norte e a URSS, de que você terá certamente imensas saudades, apesar de nunca lá ter vivido (nem sabe o que perdeu e olhe que eu tive o prazer de conhecer).
Caro colunista, sei que estamos longe de ser a sociedade perfeita, mas acredito francamente que estamos a evoluir - A confiança nas crianças e jovens com quem me cruzo diariamente não me permite pensar doutra forma.
Caro colunista, sei também que Sócrates não é um anjo (eu também não sou e muito menos você). Mas aquilo de que não tenho dúvidas mesmo nenhumas é que o mundo se transforma às mãos de quem tem “colhões” (mulheres incluídas). Colhões esses que, no seu caso, suponho que sejam do tamanho do valor das posturas que tem assumido enquanto criador/gestor deste blog – ínfimos.
De Anónimo a 29 de Julho de 2010 às 22:08
Depois de ouvir e de ler as noticias de hoje, nomeadamente do jornal Público, o post ganaha ainda mais clarividência
De Anónimo a 29 de Julho de 2010 às 23:54
Não pretendo defender o colunista como o designou, mas o seu comentário não me pode deixar indiferente. Há alguém neste país que acredita na imparcialidade da justiça, se houver seguramente quem, ou é ingénuo, ou paira num mundo que não é este. A justiça tem a marca do regime (diria mesmo do sistema) que ajuda a manter. Os cidadãos só em teoria são iguais perante a lei, porque na prática quem economicamente ou politicamente tiver poder, é tratado de forma discricionária, auferindo de um estatuto que lhe concede fortes influências no âmbito das relações que mantém com os diversos centros de decisão, condicionado-os de forma determinante. É claro que no caso Freeport , pelas declarações que foram proferidas e pelas noticias que vieram à praça pública, no mínimo dá para desconfiar da imparcialidade no tratamento jurídico. Será invenção meramente especulativa que parentes próximos de Sócrates estiveram envolvidos na rede de relações ou influências que conduziram a um licenciamento, cuja localização era inviável, traduzindo-se na prática de uma ilegalidade. Então não foi provado que a localização era em Reserva Ecológica Nacional, não foi provado que houve jogo de influências, a prova é que há condenações no processo. A questão fundamental reside então no facto da justiça não ter apurado a verdade, devido a interferências de diversas formas, algumas relatadas em tribunal. Quanto ao diploma do Sr. Primeiro-ministro, ninguém pôs em causa a veracidade documental, de facto tem um diploma legalmente reconhecido por uma universidade portuguesa, mas não é isso que está em causa. O que está verdadeiramente em causa (ou esteve em altura própria) é a situação, no mínimo atípica , diria mesmo insólita, inerente à forma como é obtido esse diploma, dado que não há frequência testemunhada de aulas, sobretudo em cadeiras que obrigam a práticas laboratoriais, engenharia civil tem esse tipo de cadeiras, exames cujos certificados são passados em datas absurdas, incluindo fora do período normal de exames, não há testemunhos de colegas de curso, então não é natural questionar que raio de curso é que o Sr. engenheiro tirou. Não é de questionar o facto de ser o mesmo estabelecimento de ensino e respectivo dirigente máximo que passou o diploma e foi examinador de algumas disciplinas, ter um processo judicial por corrupção, tendo sido nessa sequência que apareceu a dúvida sobre o alegado curso do Sr. Primeiro-ministro. Seguramente que o Sr. Sócrates tem azar, porque envolvem-no num par de coisas, mas com sorte porque safa-se sempre. Quanto às eleições, aí as coisas já piam de outra forma. O próprio quadro deontológico dos partidos políticos e dos políticos está em causa. Infelizmente o caso Sócrates não é único na cena política nacional. Como em tudo, e a própria União Europeia prima pelos códigos de boas práticas em diversos domínios, não sei porque essa mesma União não cria um código para os seus políticos. De qualquer forma, as eleições não constituem um meio para branqueamento de ilicitudes cometidas. Relativamente à China e aos outros países evocados, procure outra cassete que essa já está gasta. O que você tem de apontar é aos comunistas portugueses o que eles de facto fazem no país, quer no exercício político, quer no exercício da própria cidadania, e não se refugie em argumentos falaciosos. Quem responde pelos actos nesses países são os respectivos políticos desses mesmos países, cabendo aos governos dos países ocidentais manter ou não relações diplomáticas. Pelos vistos com a China e outros países que são apontados como anti-democráticos as relações económicas e subsequentemente políticas vão de vento em popa. Mais uma vez dois pesos e duas medidas, como característica dos regimes ocidentais, seja na justiça, na economia ou nas relações internacionais.
De Tanas de Albernoa a 4 de Agosto de 2010 às 20:24
Não me parece que o MP tenha concluído que não houve cometimento de crime. É sintomático, quanto a este assunto, o rol de perguntas que ficaram por fazer a Socrates pespegado no Relatório do inquérito pelos membros do Ministério Público que conduziram directamente a investigação...
Sendo certo que a prática de crime tem de ficar demonstrada, neste país confunde-se a falta de provas (por vezes porque o polvo abafa com os seus tentáculos as vias de acesso aos meios de prova...)com a absolvição.
A dúvida, quanto a mim subsiste.
No dia em que Portugal fôr um país a sério, talvez apareça alguém que ponha a nú tudo o que aconteceu no Freeport, em Felgueiras, em Oeiras, na Banca, nas empresas públicas, na origem de muita massa destinada a campanhas eleitorais, etc. etc. etc.
Até lá, vamos comendo e... cantando e rindo, como no tempo da «Bufa».

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