Terça-feira, 4 de Maio de 2010

Os sacrifícios e as desigualdades sociais

É por mais conhecido que as politicas desenvolvidas pelo PS, mas também pelo PSD, têm contribuído para alargar o fosso entre ricos e pobres. Somos inclusivamente um dos países da União Europeia onde as assimetrias são maiores, basta constatar que os ordenados dos gestores aproximam-se e até ultrapassam os ordenados dos seus congéneres europeus, enquanto os rendimentos dos comuns dos assalariados são dos mais baixos da Europa. Atribuir milhões de euros a gestores públicos na situação em que o País se encontra é um escândalo de lesa a pátria. Mas o problema não reside só nas remunerações dos gestores, a distribuição de lucros chorudos das empresas pelos accionistas é outro factor que tem implicações nas desigualdades brutais de rendimentos entre os portugueses. Aliás, este sistema empresarial orientado exclusivamente para o lucro e a remuneração do capital constitui um dos factores que contribuiu para a crise económica do país e do mundo. Esta tendência financista das grandes empresas resulta no desinvestimento económico e, deste modo, no bloqueio ao crescimento económico de natureza empresarial e com ele o desemprego. Essas consequências o país está a sentir na pele. Face a esta situação é justo que o Governo apele indiscriminadamente a sacrifícios. Ou seja, os senhores Mexias das EDP, PT, bancos e outras P que ganham milhões de euros, enquanto que mais de 600.000 portugueses não têm trabalho e mais outros tantos recebem o salário mínimo, sem que tenham verdadeiramente um nível de vida condigno, e que há muito já estão a pagar a crise, estes de modo solidário, como pretende o governo, vão suportar (ainda mais) o esforço para a credibilização financeira do país. Esta postura política é no mínimo imoral e deve revoltar quem vive exclusivamente do trabalho, tanto mais que nem o próprio governo garante justiça nos sacrifícios, basta lembrar-nos da triste figura que Sócrates fez no caso Mexia. Este, ou outro qualquer governo que pratique semelhantes políticas, não tem legitimidade moral nem política para exigir sacrifícios dos mais pobres, que são as vítimas principais deste injusto sistema económico e social. Esta percepção da questão está, e bem, a generalizar-se no seio da sociedade portuguesa, basta ter em conta os últimos estudos de opinião feitos e publicados recentemente. Nesta questão não pode haver dois pesos e duas medidas.

publicado por bejahoje às 07:28
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